de repente o natural se faz bizarro,
o mundo penetra no corpo,
a alma extravasa.
e, no entanto, em tanto sentido some,
a lucidez se inverte,
o abandono do material,
o medo real,
o puro medo.
só medo.
o mundo passa pela cabeça
(desforme pensamento),
deforma pensamento.
a cabeça passa pelo mundo
(conforme o pensamento),
conforma pensamento - com forma, pensa.
e na volta do mundo de fora pra fora
e do mundo de dentro pra dentro,
contemplar tornou-se só desatento
e o tempo muda de hora em hora.
contratempo.
contra tempo.
morrer foi existir no vácuo de um único sentimento e ruído: medo e silêncio.
Um comentário:
teria o meu medo um ruído e meu silêncio um sentimento.
meu pensamento prevê todo o movimento do mundo passsado.
o natural seria colocar fobias em uma caixa com furos, pra respirar.
minha contemplação não exige desatenção:
resulta em desalento, solucionar.
dançaria uma valsa com o mundo e caíria sobre seus pés.
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