segunda-feira, 16 de junho de 2008

olhava então pro horizonte de um segredo escondido às avessas e não deixava de encontrá-lo por onde passasse e pelo tempo que passasse. Naquele momento percebeu que seu olhar não iria perto o bastante pra desvendar qualquer mistério. o mistério,outro que sempre encontrava. segredo,mistério, opostamente sinônimos.Após perceber o quanto ele poderia ser inútil até de saber,talvez, sua inutilidade, pensou também que,para olhar de perto,antes precisava saber o que é o longe,se está longe,onde é o longe?, por onde é que começa o longe?Daí chegou,enfim,a mais uma conclusão:" se não consigo ver o que se está perto;o que sinto perto;o que ,perto, se sente;como o perto se sente?;ele tem uma identidade?; posso ver então o longe como se nunca tivesse sido olhado, mas sentindo uma grande sensação de nostalgia pré-determinada por um olhar de longe pra longe,ou seja, posso botá-los frente à frente e ver ao ponto que chegariam.talvez seja longe demais ou talvez seja perto o bastante um do outro ou, ainda sim, longe demais e perto o bastante."

sábado, 14 de junho de 2008

não conheço muitas palavras.
mas pelas que eu conheço,
já sei que não as uso, sou usada.
desconheço-as caladas.
reconheço-as quando não ditadas.
não conheço muitas palavras.
mas pelo que eu conheço,
a morte pode ser até falada.
cair na boca do mundo
virou faixada.
cair no mundo da boca
não tem nada a ver com articulações,que são inteiramente previsíveis posto que a ação já percorreu todo corpo.
chegar na boca é um sistema linear,não pelo caminho ser retoe explícito e sim por poder chegar numa conclusão,ter um resultado que resulta na previsibilidade do ato de ir em direção a.
primeiro: a idéia invade o teu cérebro -limitador físico- e gera uma vontade -limita dor física.
segundo: pensa demais.e pensa que pensa demais.enquanto está pensando que pensa demais pensando mais ainda,o pensamento de pensar se torna um sentimento.
terceiro: a partir daí, chegar até a boca é uma questão de limites impostos por seus pensamentos. se seus pensamentos te impedem e é óbvio que o impediria,a ação de ir até a boca se transforma em pressão.não temos funcionalidade sobre pressão, ela é a utilidade sobre não ter.
quarto: chegar à boca.
são etapas e o desfecho é calculado.
não conheço muitas palavras
por ser assim que se chega a boca: desconhecendo o seu limite.

sábado, 7 de junho de 2008

de repente o natural se faz bizarro,
o mundo penetra no corpo,
a alma extravasa.

e, no entanto, em tanto sentido some,
a lucidez se inverte,
o abandono do material,
o medo real,
o puro medo.
só medo.

o mundo passa pela cabeça
(desforme pensamento),
deforma pensamento.
a cabeça passa pelo mundo
(conforme o pensamento),
conforma pensamento - com forma, pensa.

e na volta do mundo de fora pra fora
e do mundo de dentro pra dentro,
contemplar tornou-se só desatento
e o tempo muda de hora em hora.
contratempo.
contra tempo.

morrer foi existir no vácuo de um único sentimento e ruído: medo e silêncio.