sábado, 27 de outubro de 2007

remeti-me a prosa do segundo e do minuto:

-serei minuto..mas preciso passar por esses segundos com primeiras intenções de chegar a mim por um instante.
-não sejas apressado, fui segundo pela primeira vez e juntei todos esses imigrantes momentâneos para formar minha tripulação passageira.
-não tenho pressa, só preciso viver cada segundo e à cada segundo, posso até me apaixonar mas é tão instantâneo quanto o ponteiro girando no sentido anti horário e não fazer nenhuma diferença no final das contas.
-não te apaixones,segundo; primeiro tente livrar-se de tudo que te prende em segundo plano e vire o primeiro de muitos segundos.
-já fui e tendo a ser sempre o primeiro segundo, até que me torne minuto e tenha alguns segundos a tratar e a passar pelo tempo sempre em primeiro lugar; não existe segundo plano e sim um plano à cada segundo.
-queria ter a sabedoria de um segundo.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

tem uma janela aberta
sem fechar multidão à fora.
debruçada a solidão liberta
o destino de outrora.

tem uma janela certa,
outra controla
a vista deserta
do tempo em hora.

qual será descoberta?
a meia ou a sola?
não tem página concreta
que,quando toda escrita, revela.

tem uma janela aberta.
tem um mundo lá fora.
tem gente liberta.
tem tempo à toda hora.

domingo, 14 de outubro de 2007

esse jeito de olhar
confunde-me:
por que quanto mais longe é menor,
se quanto mais se afasta é maior o que sinto?

a ilusão de óptica é tão certa
quanto os olhos fechados e o coração sentindo.

meu grito virou eco
sem sequer repetir uma só palavra,
porque à cada som perde o significado
e sobe um tom.

o olhar e o grito que lancei
se eternizaram
no limite de um horizonte
no vácuo de um prelúdio.

não me olhe de perto
e nem fale comigo.
se é que quer me entender.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

A vida é tão curta.
A vida,então curta
A vida no meu curta é
Ávida e de saia curta.

Ávida com saia justa.
Saí-me justa?
Saia da vida grossa e curta.
Saia da justa vida puta
No teatro de ser amada.
Curta, sai justa pra vida
Que deve ser privada.

Me vê um caldo de cana
e um pastel de carne.
Me vê um caldo de carne
e um pastel de cana.
Me vê uma carne pastel
e um caldo em cana.
Me vê uma carne em caldo
e um cana pastel.
Me vê uma vida.

Eu vi:
Da mulher
ao qualquer
um.
Eu vi:
Da dor ao
meu sangue,
da flor ao
copo e colher.
Lama de mangue
sujando o
que não vi,
dá?

Vida: curta e saia justa.
Da vida saia e dê saia curta
pra que seja justa, a vida
que é grossa e curta.
Fato que todo ato
ainda que fraco
anima a noite e
perdoa o acerto.
elogia o erro
que não açoite
aquele aperto
morre.


para velar minha morte
festeje a maior festa:
jogos de sorte e flamencos felizes.
pois já não resta
algo assim como
claustrofobia de mim.

na minha morte aposte!
depressa, aposte intenção
gire a roleta da solidão.
enfrenta os dados jogados
à passagem aberta!
abre.

fechei os olhos e,
finalmente-e por sorte-,
ouço o faceiro instante
que foi traçado
-e estraçalhado-
pelo jogo de minha morte.

acendam uma vela!
uma de sete dias:
-no sétimo descansarei
com os imortais.
nos outros seis:
deixe-me em paz!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

A vida é tão curta.
A vida,então curta
A vida num curta é
ávida com saia curta.

Ávida com saia justa.
Sai-me justa?
Saia da vida grossa e curta.
Saia da justa vida curta.
Curta sai justa pra vida da...

...Vida curta da saia justa.
Da vida saia e dê saia justa
pra justa vida grossa e curta.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

se tudo o que você queria era ser,
ser já não me é musa inspiradora.
o peso ou a leveza é modo de ver
tensão criadora pedir fiança:
presa portando peso de ser.
o ideal inalcansável até cansa
mas não perde a razão de ser
o alvo principal de perseguição.
eu sou a idéia deturpada de mim:
sou a virgem estuprada nas núpcias.
sou a sorte azarada dos dados.
fumaça baforada em astúcia e
medo de ser aquilo que vocês são:
o ser em ideais afugentados
do peso ou leveza do amor.
ou da busca dele, a imagem.
a idealização da flor que perde a cor
de falta de medo ou pior:
excesso de coragem.
tudo fica entreaberto no escuro
nem tudo se aspira em pó.
o mal é pesar o ser
sem saber o que é
ou o que deveria ser
suspiro a sussurrar:
-a leveza de criar.

domingo, 7 de outubro de 2007

Eu discuto com a verdade.
Imito a saudade
pra deixar-me intensa,
Fora de rota,
Mas a verdade
não concorda:
diz que é tudo lorota
da saudade,
que sem bondade,
toma-te tudo,
invade.
E aquele silêncio surdo
continua mudo
e não sabe a verdade.
E agindo por aí,
a sinceridade
veio desmentir a verdade.
Verdade.
Ver da
de ver
Da de.
Dever.
Dade.
Eu bato a porta
com uma leve expressão morta.
Tão leve,
Torta.
Tão breve,
Volta.

Eu sigo o caminho
sem fluxo
sozinho.

Quando a noite vem
e eu bato à porta,
Não tem ninguém.
Só a leve
expressão morta.
Breve.
Torta.
Segue.
Volta.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Essa fumaça entra e se esvai,
Espalha verdade na cabeça.
E o cérebro contrai
felicidade espessa.

Os gazes em mim
mal fazem
parte de um fim
de toda aquela montagem.

Eu tenho um vício
e o mundo também.
Parar não é sorte de quem tem
algum benefício
por nenhum vintém.

Somos emissores dos gases
pro mundo e além.
Mas não são absorvidas verdades
por menos de cem.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Enquanto brincava de mutualizar,
esfregava meu nariz em mente
pra sentir, cheirar
tal pensamento eloqüente.

E essa indiferença
fez-me presente.
Um grau sem ofensa
de uma proposta indecente.

Tal como uma abstinência
sem necessitar,
Tal como experiência
à vagar
por aí pelo canto-
Onde o refrão acentua
aquele todo desencanto
à voz tua.

E o nada se situa,
Friza encanto-
Aquela saudade crua.
Conforme for por enquanto,
Desforme é portanto.

Nua-
Manto.

Tua.
Tanto.