naquela noite vazia e tão clara como a dúvida de uma epifania tão certa quanto a morte, havia uma mesa com uma vela a queimar cada minuto daquele instante,uma janela fechada para não entrar nada que venha de fora, um vinho de segunda mão pra eliminar a tontura do mundo sob uma cabeça confusa, havia também um papel em branco e uma caneta sem tinta que não tinham nenhuma utilidade mas representavam uma vida,talvez todas as vidas ou só a minha vida. o papel em branco simboliza meu futuro que não existe até chegar. a caneta sem tinta simboliza meu caminho traçado apenas por acasos voláteis que só chegam quando deixam de existir. e olhando através da janela fechada, com uma taça de vinho e fumando um cigarro que fora aceso na vela, um parente próximo da morte tragava a fumaça do presente mais real e tragável que existe, quando uma pedra em sua janela bate: olha pra baixo e nada se vê. olha pra cima e o céu se esconde. olha pro lado e nunca se sentiu tão sozinho. pro outro, só as quatro paredes do quarto presente o sufocando. e ,finalmente olha pra frente e vê sua irmã, a morte. escura e cheia de nenhum vazio daquela noite e sem dúvida a atrapalhar seu ofício rotineiro, abre a boca que nunca fechou:
- tenho aqui a certeza da tua dúvida, a tinta da tua caneta, as palavras do teu papel. isso é um presente.
seu irmão, o nascer, serenamente traga a última fumaça da calmaria que lhe pode ser ofericida e bebe o último gole de vinho. e ali percebe: o vinho o deixou tonto de uma embriaguês sufocada desde que nasceu e o cigarro tomou toda tranqüilidade de um esperar do horizonte na janela. fecha a boca que nunca abriu e pensa,pois não precisa expôr a confusão de toda uma decisão que acabara de ter tomado: " hoje não é meu aniversário." vira as costas pra sua irmã e cai pra nunca mais voltar e renascer sempre que cair.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
esse olhar envenena
cada parte do meu ser,
nem uma ponte de safena
impedir-me-ia de morrer.
e cada vez que desperto,
acordo no além de tanta saudade.
o sentimento é (de) concreto
mas teu olhar invade.
nunca é discreto,
mas, pra falar a verdade,
ninguém está por perto
pra desrrespeitar privacidade.
esse olhar não tem pena
do que posso ver.
até mesmo Viena
pode prever: " olhou pra morrer."
ah,pobre Viena que vai afundar
nos próprios desconsolos
desse olhar.
Viena,todos nos chamam de tolos
até que o encontrem e por aí devem encontrar.- tolos são eles de olhar.
cada parte do meu ser,
nem uma ponte de safena
impedir-me-ia de morrer.
e cada vez que desperto,
acordo no além de tanta saudade.
o sentimento é (de) concreto
mas teu olhar invade.
nunca é discreto,
mas, pra falar a verdade,
ninguém está por perto
pra desrrespeitar privacidade.
esse olhar não tem pena
do que posso ver.
até mesmo Viena
pode prever: " olhou pra morrer."
ah,pobre Viena que vai afundar
nos próprios desconsolos
desse olhar.
Viena,todos nos chamam de tolos
até que o encontrem e por aí devem encontrar.- tolos são eles de olhar.
Assinar:
Comentários (Atom)