sábado, 7 de junho de 2008

de repente o natural se faz bizarro,
o mundo penetra no corpo,
a alma extravasa.

e, no entanto, em tanto sentido some,
a lucidez se inverte,
o abandono do material,
o medo real,
o puro medo.
só medo.

o mundo passa pela cabeça
(desforme pensamento),
deforma pensamento.
a cabeça passa pelo mundo
(conforme o pensamento),
conforma pensamento - com forma, pensa.

e na volta do mundo de fora pra fora
e do mundo de dentro pra dentro,
contemplar tornou-se só desatento
e o tempo muda de hora em hora.
contratempo.
contra tempo.

morrer foi existir no vácuo de um único sentimento e ruído: medo e silêncio.

Um comentário:

diegocapdeville disse...

teria o meu medo um ruído e meu silêncio um sentimento.
meu pensamento prevê todo o movimento do mundo passsado.
o natural seria colocar fobias em uma caixa com furos, pra respirar.
minha contemplação não exige desatenção:
resulta em desalento, solucionar.
dançaria uma valsa com o mundo e caíria sobre seus pés.