sexta-feira, 28 de agosto de 2009

deixei minha insônia contigo.
agora, a maior parte do tempo
passo sonhando.
o surrealismo mostrou-me
o que se diz na eternidade.
ficou de lado qualquer apelo
por qualquer vaidade,
e o desespero de prender-se às mesmas
palavras,
tornou-se uma carta
na manga.
o vocabulário limitado
aprimora o texto de sempre.
o pensamento limitado
cai na mesmisse.
pensar não é palavrear...
...palavreando, o pensamento vai pra lá
da cabeça.
meu olhar pede o teu,
minha fome pede a tua.
na saudade, que se faz nua,
minha felicidade se escondeu

no nosso último encontro.
lateja toda vontade,
interminável confronto
que vem e invade

a minha surdez de tudo
que não seja você,
do meu sentimento mudo
que só sabe te ter.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

a luxúria inspira,
alimenta loucura,
arregala o olho
e desperta a gula.
desvia o amor com sexo.
o transforma em pele,
coxa
e saliva.
seduz o olhar santo,
invade o que resta dele.
liberta a imoralidade da alma - liberdade da carne.
confunde qualquer sanidade.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

entorpecimento do medo,
a inexistência transparecida em vida.
o elixir do fracasso latente.
saltam rancores aprisionados
na profunda imensidão
vazia da solidão.
e, à minha frente,
você.
os sentimentos mudaram,
a percepção de sentir mudou,
eu mudei,
minha voz muda,
um silêncio estridente
em cada minuto vital,
uma morte a todo instante.
voltei de uma eternidade,
tô seguindo outra.
a busca da perfeição perfeita,
a excelência prepotente.
e, no resto da vida,
a mediocridade.

o início vem a ser o fim
como uma correnteza
de um rio:
as extremidades são desconhecidas
e, por serem,
o meio passa a não existir.
não se reparte um rio,
início,
meio
e fim.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

uma inspiração alienada
escrita em linhas retas
e pensamentos tortos.
é quase o significado de nada,
objetivos sem metas,
sentimentos mortos.

um copo cheio de contradições
talvez seja a solução
que se espera.
ser visto por ilusões
e chutado pela confusão,
nada que não se supera.

segue em anexo meu texto escrito,
não se precisa sentido
nem ser lido,
como já tinha previsto.

minha alienação inspirada.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

um sopro de realidade crua ao despertar
e um café expresso,
um cigarro pra acompanhar
meu batimento em processo.

toda manhã e amanhã
pra que fique bem clara
minha insanidade sã.

e o resto do dia
cheira a transtorno,
suspiros sem poesia,
ruas sem retorno.

o sol se põe,
contrapõe todo meu desencanto -
encanto nenhum
em canto algum :
o que antes era claro
agora é mistério.

sábado, 1 de agosto de 2009

o tempo, a razão, o sentimento e o passado no banco:

a razão furou fila e tomou a frente do sentimento enquanto o tempo passava por todos porque não pode parar,na verdade não parou até hoje e existem preferências pra quem não pára, a lei da inércia molecular temporal: moléculas de espaço tempo em movimento tendem a continuar em movimento até não existir mais espaço nem tempo. o tempo não foi atendido,passou rápido demais. a razão pediu pra chamar o gerente. o sentimento desistiu,estava atrasado.e o passado já tinha passado por ali,já tinha ído e voltado e estava indo de novo, engraçado é que nunca saiu do mesmo lugar.
um apetite imoral e um motivo intimidador-
não se precisa mais pudor,
coragem
nem consciência,
quatro cervejas bastam!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

eu perdi a lua no céu
e há quanto tempo
não ouço uma mosca pairando no ar,
parando no tempo.
o sol esquenta a pele
e o pensamento.
deixa quente a vontade.
e o vento!
ah, o vento disfarça muito bem o calor.

terça-feira, 16 de junho de 2009

talvez meu instante particular cure a ressaca de ontem
ou,então, a ressaca o cure.
o dia corre contra o tempo inerte e fulgaz.
procuro uma solução nata,
escondo dúvidas e frustrações
no comodismo.
hoje tá resolvido, o amanhã,amanhã eu revolso.
- existir me toma todo o tempo,
viver, mais tempo ainda!

domingo, 1 de março de 2009

beijar outras bocas e se atirar num abismo de falsidades ideológicas serviu pro tamanho da sua insensatez, caiu muito bem com sua noção de conquista barata e desejo reprimido. está na hora de dar meia volta e levar meu desaforo pra casa, levar todo o meu desconsolo com você pra acompanhar seu jogo de sedução inútil da vida. e não me venha com qualquer olhar mais profundo,pronfundamente bipolar e lotado de uma dissimulação chata e incoveniente. e me dá um cigarro? vou despejar a fumaça da minha hostilidade no seu amor desnaturado de amor. vou tocar toda sua vaidade e apertar com toda a minha vontade voraz, vou gozar com ela e não me despedirei. e se depender de toda a minha desilusão, o deserto de mim vai penetrar no seu insinuado corpo cheio de curvas precisas e exatas, um corpo, minuciosamente, emoldurado de beleza e preenchido de sensualidade. é difícil esquecer todo aquele tesão aceso na memória da minha pele, mais difícil ainda é mantê-lo aceso. não permaneça na minha vida, irá se arrepender de ter entrado num labirinto do meu desprezo e pena, do meu rancor e sarcasmo, da minha indiferença e respeito porque não se perde a pose, meu bem, não se cai do salto depois de ter aprendido como manuseá-lo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

uma casa sem teto, a porta foi arrancada, os móveis jogados com distâncias equivalentes entre si, uns ali, outros fora; uma escada pela metade e a lareira recentemente apagada como se ali tivesse passado um furacão.
um corpo sem cabeça, o coração levado, uns ali,outros não;a razão pela metade e um sentimento aceso como se tivesse passado um em um milhão.
um medo sem liberdade, a peça que não te deixa mover, o jogo em xeque mate previsto como se não tivesse fim depois que o rei se deitou.
a certeza de ter passado e o futuro pra passar surdo, um aqui,outro em fuga;um presente sem mais nem menos como se fosse um fenônemo que só acontece, que só ao acaso.
um resumo de mais um caso.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

sabe de onde vim?
não vim, me botaram aqui.
não foi escolha
nem excessão,
muito menos destino.
o acaso me botou no mundo.
poderiam vir muitos- e eles vieram-
mas fui eu
o grande acidente da vida.
fui condenada a viver antes de vir
e ainda tenho que morrer.
desta vez a culpa é do destino!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

vegetando em espaços de tempos
e passos calados
como se num sussurro da noite
o movimento, o som e o visível
invadissem o céu que se põe
à todo segundo à se viver.

a espera, narrando todo o
circuito da solidão, envolve
todo o sistema nervoso ideológico
e natural
porque isso se vive. - se pensa
em viver, ou seja, estarvivo
intelectualmente.

entorpercer-me é só uma
coisa à se fazer que posso fazer,
já fiz e farei de novo,
bem como uma rotina nutritiva
do pensamento de liberdade,
o pensamento separado,
uma carta fora de todo e qualquer baralho.

a noite vem e vai,
fragmenta todas
as sensações intencionalmente.
- pilantra!