sexta-feira, 10 de julho de 2009

eu perdi a lua no céu
e há quanto tempo
não ouço uma mosca pairando no ar,
parando no tempo.
o sol esquenta a pele
e o pensamento.
deixa quente a vontade.
e o vento!
ah, o vento disfarça muito bem o calor.

terça-feira, 16 de junho de 2009

talvez meu instante particular cure a ressaca de ontem
ou,então, a ressaca o cure.
o dia corre contra o tempo inerte e fulgaz.
procuro uma solução nata,
escondo dúvidas e frustrações
no comodismo.
hoje tá resolvido, o amanhã,amanhã eu revolso.
- existir me toma todo o tempo,
viver, mais tempo ainda!

domingo, 1 de março de 2009

beijar outras bocas e se atirar num abismo de falsidades ideológicas serviu pro tamanho da sua insensatez, caiu muito bem com sua noção de conquista barata e desejo reprimido. está na hora de dar meia volta e levar meu desaforo pra casa, levar todo o meu desconsolo com você pra acompanhar seu jogo de sedução inútil da vida. e não me venha com qualquer olhar mais profundo,pronfundamente bipolar e lotado de uma dissimulação chata e incoveniente. e me dá um cigarro? vou despejar a fumaça da minha hostilidade no seu amor desnaturado de amor. vou tocar toda sua vaidade e apertar com toda a minha vontade voraz, vou gozar com ela e não me despedirei. e se depender de toda a minha desilusão, o deserto de mim vai penetrar no seu insinuado corpo cheio de curvas precisas e exatas, um corpo, minuciosamente, emoldurado de beleza e preenchido de sensualidade. é difícil esquecer todo aquele tesão aceso na memória da minha pele, mais difícil ainda é mantê-lo aceso. não permaneça na minha vida, irá se arrepender de ter entrado num labirinto do meu desprezo e pena, do meu rancor e sarcasmo, da minha indiferença e respeito porque não se perde a pose, meu bem, não se cai do salto depois de ter aprendido como manuseá-lo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

uma casa sem teto, a porta foi arrancada, os móveis jogados com distâncias equivalentes entre si, uns ali, outros fora; uma escada pela metade e a lareira recentemente apagada como se ali tivesse passado um furacão.
um corpo sem cabeça, o coração levado, uns ali,outros não;a razão pela metade e um sentimento aceso como se tivesse passado um em um milhão.
um medo sem liberdade, a peça que não te deixa mover, o jogo em xeque mate previsto como se não tivesse fim depois que o rei se deitou.
a certeza de ter passado e o futuro pra passar surdo, um aqui,outro em fuga;um presente sem mais nem menos como se fosse um fenônemo que só acontece, que só ao acaso.
um resumo de mais um caso.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

sabe de onde vim?
não vim, me botaram aqui.
não foi escolha
nem excessão,
muito menos destino.
o acaso me botou no mundo.
poderiam vir muitos- e eles vieram-
mas fui eu
o grande acidente da vida.
fui condenada a viver antes de vir
e ainda tenho que morrer.
desta vez a culpa é do destino!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

vegetando em espaços de tempos
e passos calados
como se num sussurro da noite
o movimento, o som e o visível
invadissem o céu que se põe
à todo segundo à se viver.

a espera, narrando todo o
circuito da solidão, envolve
todo o sistema nervoso ideológico
e natural
porque isso se vive. - se pensa
em viver, ou seja, estarvivo
intelectualmente.

entorpercer-me é só uma
coisa à se fazer que posso fazer,
já fiz e farei de novo,
bem como uma rotina nutritiva
do pensamento de liberdade,
o pensamento separado,
uma carta fora de todo e qualquer baralho.

a noite vem e vai,
fragmenta todas
as sensações intencionalmente.
- pilantra!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

seu mistério joga libido
e cai sobre mim
como quem cai despido
e sem pressa de algum fim.

vai flutuando pela pele
sem encostar,
mas fere
cada resfolegar.

e toca numa loucura
que invade
minha audição naquela altura
como se fosse uma escultura
sonora e covarde
inerte de saudade.

recupera o fôlego olhando-me forte
e temendo meu desvio
reduzindo morte
a desafio.

e, por fim, beija-me sorrindo
inversa(mente),
porque sabe que é bem vindo
o sorriso presente.
invadindo
mente.- invadir mentindo.