terça-feira, 4 de outubro de 2011
em um pequeno fragmento de universo, um grão de areia espacial, perto de um lugar muito distante daqui, era onde queria estar maria. pensava dia e noite em sentar-se naquela poeira espacial e contemplar as paisagens sem atmosfera, os pensamentos sem gravidade. ela precisaria só de um grão e descobrir como alcançaria a velocidade da luz. desenhava em sua imaginação planos infalíveis para sair desse mundo que a limitava. olhava as estrelas como quem olha furos no céu, a lua era o maior furo, considerava-a o único jeito de sair. procurava na internet uma escada que tinha o comprimento daqui à lua, mas os seres humanos não tinham inventado uma. maria não era que nem todo mundo, maria enxergava além do mundo. naquele grão de areia, maria podia ser só ela e podia não comer alface se não quisesse, não teria de ir a escola aprender sobre as guerras porque lá não teria, não iria chorar por não se aplicar em um mundo normal, não iria ter de esquecer um amor. naquele grão de areia espacial, a felicidade não teria fim e a tristeza sim. maria sumiu.
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