quarta-feira, 21 de novembro de 2007

morre de dor
morre de ser
morre sem ver
morre sem amor.
desperdiça
um inflado peito,
de qualquer jeito.
agora cheira
à carniça.
acordou morto.
impossível,
mas se sensível,
a alvorada
hoje é assassina.
e sua dilacerada
presença mórbida,
fétida e odiada
agora ensina
(um recém-morto)
num tom cantado:
a se arrepender
de não ter amado.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

palavras furtadas agora e mais tarde.
chamadas,quando juntas, de frase.- e quando soltas?

palavra?-quando uma só?
palavra.-quando sempre continua.
palavreado.- quando se tem idéia do que fala(?)
palavrear.- sentar ali, tomar uma dose de dupla sede cômoda e matada.
palavre(ando).-é só chegar em algum lugar.
palavrão.- quando é tão cheia de muito, e tão vazia era à pouco.
pala-vrinha. - se não veio, já sei onde está.
pa-lavra-tudo.- depois enxugar.
pa-lavra-toda.- continuar plantando pra dar muda,mas que sabe escutar.
pa-la-vra.- sílabas tônicas...todas elas.
pala-vramo - embora.
palavriei.- tentei.
palavri-rei.- embora, lá fora,outrora, toda hora.
palavri-rar.- de ponta cabeça no ar.
palavratoa.- jogada ao vento sem se preocupar com talento ou invento de "palavra" ao falar escritamente.(neologismo fantástico sem lógica nem previsão). fazer sentido? -faço não.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

era canhoto e acordou com o pé esquerdo.
usou de uma meia para coar o café
-não é relevante de qual pé a meia vinha.
vomitou inversamente todo café que tinha.
perguntou-se se sua fé na solidão era medo
ou asco da humanidade e de sua falta de privacidade.
direitos humanos.
primeiro, me mostre
o lado que estamos:
dos direitos
ou dos humanos?

escovou os dentes com a boca aberta
-não é relevante qual boca.
tomou banho sem estar alerta,
limpou todo o corpo,mas usou touca:

não molhou a cabeça,
já estava encharcada.
com tanto que não esqueça
da lucidez pelada.

não era esquerda nem seca.
não era direita nem molhada.
não era pensar nem enchaqueca.
era cabeça descolada
-que esqueceu embaixo do prório nariz.

direitos desumanos.
segundo, não mostre
o que deixamos:
os direitos?
ou os humanos?

um minuto do que mostramos
e não somos
porque deixamos
e esperamos,
no final, todos enganamos.
convenhamos,
nos enforcamos

sem perda ou danos.

sábado, 27 de outubro de 2007

remeti-me a prosa do segundo e do minuto:

-serei minuto..mas preciso passar por esses segundos com primeiras intenções de chegar a mim por um instante.
-não sejas apressado, fui segundo pela primeira vez e juntei todos esses imigrantes momentâneos para formar minha tripulação passageira.
-não tenho pressa, só preciso viver cada segundo e à cada segundo, posso até me apaixonar mas é tão instantâneo quanto o ponteiro girando no sentido anti horário e não fazer nenhuma diferença no final das contas.
-não te apaixones,segundo; primeiro tente livrar-se de tudo que te prende em segundo plano e vire o primeiro de muitos segundos.
-já fui e tendo a ser sempre o primeiro segundo, até que me torne minuto e tenha alguns segundos a tratar e a passar pelo tempo sempre em primeiro lugar; não existe segundo plano e sim um plano à cada segundo.
-queria ter a sabedoria de um segundo.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

tem uma janela aberta
sem fechar multidão à fora.
debruçada a solidão liberta
o destino de outrora.

tem uma janela certa,
outra controla
a vista deserta
do tempo em hora.

qual será descoberta?
a meia ou a sola?
não tem página concreta
que,quando toda escrita, revela.

tem uma janela aberta.
tem um mundo lá fora.
tem gente liberta.
tem tempo à toda hora.

domingo, 14 de outubro de 2007

esse jeito de olhar
confunde-me:
por que quanto mais longe é menor,
se quanto mais se afasta é maior o que sinto?

a ilusão de óptica é tão certa
quanto os olhos fechados e o coração sentindo.

meu grito virou eco
sem sequer repetir uma só palavra,
porque à cada som perde o significado
e sobe um tom.

o olhar e o grito que lancei
se eternizaram
no limite de um horizonte
no vácuo de um prelúdio.

não me olhe de perto
e nem fale comigo.
se é que quer me entender.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

A vida é tão curta.
A vida,então curta
A vida no meu curta é
Ávida e de saia curta.

Ávida com saia justa.
Saí-me justa?
Saia da vida grossa e curta.
Saia da justa vida puta
No teatro de ser amada.
Curta, sai justa pra vida
Que deve ser privada.

Me vê um caldo de cana
e um pastel de carne.
Me vê um caldo de carne
e um pastel de cana.
Me vê uma carne pastel
e um caldo em cana.
Me vê uma carne em caldo
e um cana pastel.
Me vê uma vida.

Eu vi:
Da mulher
ao qualquer
um.
Eu vi:
Da dor ao
meu sangue,
da flor ao
copo e colher.
Lama de mangue
sujando o
que não vi,
dá?

Vida: curta e saia justa.
Da vida saia e dê saia curta
pra que seja justa, a vida
que é grossa e curta.