era canhoto e acordou com o pé esquerdo.
usou de uma meia para coar o café
-não é relevante de qual pé a meia vinha.
vomitou inversamente todo café que tinha.
perguntou-se se sua fé na solidão era medo
ou asco da humanidade e de sua falta de privacidade.
direitos humanos.
primeiro, me mostre
o lado que estamos:
dos direitos
ou dos humanos?
escovou os dentes com a boca aberta
-não é relevante qual boca.
tomou banho sem estar alerta,
limpou todo o corpo,mas usou touca:
não molhou a cabeça,
já estava encharcada.
com tanto que não esqueça
da lucidez pelada.
não era esquerda nem seca.
não era direita nem molhada.
não era pensar nem enchaqueca.
era cabeça descolada
-que esqueceu embaixo do prório nariz.
direitos desumanos.
segundo, não mostre
o que deixamos:
os direitos?
ou os humanos?
um minuto do que mostramos
e não somos
porque deixamos
e esperamos,
no final, todos enganamos.
convenhamos,
nos enforcamos
sem perda ou danos.
Um comentário:
Hum, adorei esse lado daqui. Pareceu-me pouco direito e muito humano. Algumas perdas, porque é delas que sai a poesia. Mas pouco danos, porque ainda cheiro muita lucidez por aqui. Visitarei mais. Vá ao expresso sempre que quiser também.
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