segunda-feira, 19 de setembro de 2011

um pranto em desespero escondido
a felicidade rala
coração comprimido
escorrem pelo ralo
no último banho daquele amor.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

não entender o fim de um amor
é como comer migalhas da solidão.
escutar sempre as mesmas músicas cansadas
ter sempre o mesmo apetite
diante de um eterno banquete
acordar só por ter de acordar
dormir por falta de insônia
calar e silenciar -se
incubar todas as teorias mirabulantes
de como conquistá-la
de certo, essa tranquilidade chata que não o deixa sair do ócio,
não o deixaria trazê-la de volta.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O (pseudo) cult

- não acredito na palavra firme da pessoa instável
nem no amante da minha mulher adorável!
não discuto poesia com poeta barato
nem sobre quem atirou o pau no gato!

faço bico quando falo francês
e quando a minha mãe fala que fez -
e não fez.

minha inteligência é atinada
ninguém sabe que eu não sei de nada.
meu veredicto é indiscutível
e meu carão é infalível.

tenho amigos e saio pra beber
e no fim da noite esquecer -
de mim mesmo.

domingo, 13 de março de 2011

quero uma cerveja pra nostalgiar o que não foi vivido
deixar pra lá o que lá está
caminhar sobre as águas dos meus lamentos
deixá-los pra lá
quero o precipício sentado em minha mesa
embriagado, embriagando-me
os olhos dela passam do outro lado
trazê-los-ei ao meu
passa o menino pedindo esmola
e eu pedindo a tua
o meu amor, chegou e foi embora
na mente, ficou tua imagem sem nitidez
tua voz sem clareza
teu sussurro a sussurrar
e toda a bebida, que no outro dia, ainda estará lá
no coração, a partida
e o que lá está.



sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

meu café ficou mais forte
os cigarros acabam todo dia
acabam comigo
e com o dinheiro

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

pra te lembrar, fiz de minhas palavras o começo do infinito
denunciei Jesus - ainda não compareceu ao julgamento
invadi o Saara com todo meu deserto
presenciei o assalto da esquina- roubei
lancei moda em milão - bife à milanesa
construi a música "construção" - desabei
multipliquei o universo por zero e adivinha o que deu! - uma solidão blindada.
descobri a gravidade de nascer no mundo atual - 9,80665 m/s²
descobri, também, que isso não importava
grave mesmo era o Pavarotti.
desafiei minha mãe duas vezes - as duas fiquei de castigo.
durante alguns minutos olhei para o sol - queimei minha rotina
encontrei hitler numa casa noturna - virou dançarina. o dono da casa é um negro judeu (que deu em cima de mim) muito simpático.
conversei com Sylvester Stallone sobre o Brasil - "(oh, fuck, don't do that!) i love brazilian people!mostly brazilian men and carnaval!"
desmascarei a teoria da conspiração - era tudo uma conspiração do governo
tentei ressucitar teu cantor favorito, Tim Maia - mas ele também não compareceu
fiz das maravilhas do mundo uma - você.
pra te lembrar, nunca tive graça e esqueci teu nome, então resolvi mudá-lo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

autobiografia para luísa guimarães

desconcerta-me o pronome pessoal
um cortejo também
pois bem,
o defeito torna-me usual

como toda paixão
um dia usei.
abusei
de tudo que foi em vão
e, no errado, encontrei
qualquer palavra que tivesse rima agora.

a essência do meu pronome pessoal sobre este texto explicativo ajuda-me a explicar melhor o que entra pelos sete buracos da minha cabeça. principalmente, o que entra pelo meu olhar de sempre aprendizado e dissimulado quando trata-se de citar os "sete buracos da minha cabeça" de cateano e de acordo com chico buarque o meu amanhã vai ser outro dia. a música traz-me graça na vida e confortabilidade no amor. escondo-me do público por ter vergonha de mim mesma. sou tímida e minha timidez é um charme. um charme também é o mistério da vida, o meu clichê cotidiano. todos os meus sentidos são muito bem vindos na minha hora favorita: o café matinal em um acordar úmido da grama! apaixona-me a calmaria em meio ao caos, deixa-me acreditada de ser quem sou e o porquê de ser. não espero nenhum futuro e, no presente, meu passado condena-me. acredito que um dia o mundo será submarino e a espécie humana extinta. até que mais evoluções ocorram e alguma espécie metida a besta ache a razão de novo.