a tranquilidade traça seu tempo
imprevisível de duração
enquanto, em nós,
faz-se a imprevisão.
e, em nós dois,
o nó não é mais laço
nem descaso.
eu já não sei mais falar disso.
terça-feira, 20 de abril de 2010
até palavras secam agora.
a primeira pessoa, nesse caso,
é um sujeito omitido
pela mudança de tempo.
a estação predominante atual
é sertão, a escassez,
a falta.
o litoral não precisava
ser tão longe.
perto do mar,as ondas traziam
esperanças novas
traziam, de volta,
o vazio também...
quando vazio não era permanente.
lágrimas secam
pela falta de água fisiológica.
é tudo, impuramente
corporal.
o organismo adapta-se a carência.
a primeira pessoa, nesse caso,
é um sujeito omitido
pela mudança de tempo.
a estação predominante atual
é sertão, a escassez,
a falta.
o litoral não precisava
ser tão longe.
perto do mar,as ondas traziam
esperanças novas
traziam, de volta,
o vazio também...
quando vazio não era permanente.
lágrimas secam
pela falta de água fisiológica.
é tudo, impuramente
corporal.
o organismo adapta-se a carência.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
conceitualizar o amor me parece tão fácil . o amor é assim e o amor é assado, já foi passado e presente, será futuro e acabado. conceitos e mais conceitos. criaram várias teorias de como o amor pode ser, depende do amor, claro: o frio na barriga,a mão suada, as unhas curtas, os cigarros, os vários cigarros acabados, as palavras incompletas, os sustos inusitados, o olhar que se finge perdido, o batimento batendo calado.o que esquecem é que o amor não é amor. o amor não é conceito por mais que isso já seja um. o amor sem verbo. o amor. amor. mas não quero escrever sobre amor, e sim sobre ela, ela sim tem conceito dos pés até outros pés, por mãos entre outras mãos, braços entre abraços. ela é curva. ela é toda. seu pensamento é reto. seu olhar discreto. ela é coxa e saliva. ela diz morrer quando espera. ela é pontual. ela é minha espera. se não saí de casa,foi ela. e quando não dormi? também ela. já basta eu nela. e eu? eu sou o amor. o amor é um eterno clichê e isso já é um. sou um clichê. meu texto clichê.
sexta-feira, 5 de março de 2010
foi assim, sem palavras, que presenciei mais um eu em muitos de nós. e em tão pouco momento, descobri o universo individual de sensações que percorrem e são percorridas pela imaginação. cheguei no limite-descobri outro. a vida lá dentro vivia mais do que todas as pessoas que existem e olhando algumas vezes raras pra fora, não existia pessoas que existem. o futuro, pois bem, o futuro lembra-me quando chego em casa pela madrugada na ponta do pé e tenho que caminhar até o quarto em silêncio e embriagada. mas não sei o porquê de ter começado a falar no futuro.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
talvez meus pensamentos sejam injustos mas é dessa injustiça que tiro o poder do esquecimento. esquecerei aqueles sorrisos lindos pela metade e aqueles cigarros que queimavam inteiros durante nossos beijos e ,assim que esquecer, esquecerei de novo e de novo até não poder lembrar. vou esquecer de lembrar e lembrar de esquecer todo comprometimento do meu amor com teu dia-a-dia, do meu dia-a-dia com teu amor descomprometido, pois injustiça seria se tivesse de saber do teu esquecimento em todo pensamento.
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