segunda-feira, 3 de agosto de 2009

um sopro de realidade crua ao despertar
e um café expresso,
um cigarro pra acompanhar
meu batimento em processo.

toda manhã e amanhã
pra que fique bem clara
minha insanidade sã.

e o resto do dia
cheira a transtorno,
suspiros sem poesia,
ruas sem retorno.

o sol se põe,
contrapõe todo meu desencanto -
encanto nenhum
em canto algum :
o que antes era claro
agora é mistério.

sábado, 1 de agosto de 2009

o tempo, a razão, o sentimento e o passado no banco:

a razão furou fila e tomou a frente do sentimento enquanto o tempo passava por todos porque não pode parar,na verdade não parou até hoje e existem preferências pra quem não pára, a lei da inércia molecular temporal: moléculas de espaço tempo em movimento tendem a continuar em movimento até não existir mais espaço nem tempo. o tempo não foi atendido,passou rápido demais. a razão pediu pra chamar o gerente. o sentimento desistiu,estava atrasado.e o passado já tinha passado por ali,já tinha ído e voltado e estava indo de novo, engraçado é que nunca saiu do mesmo lugar.
um apetite imoral e um motivo intimidador-
não se precisa mais pudor,
coragem
nem consciência,
quatro cervejas bastam!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

eu perdi a lua no céu
e há quanto tempo
não ouço uma mosca pairando no ar,
parando no tempo.
o sol esquenta a pele
e o pensamento.
deixa quente a vontade.
e o vento!
ah, o vento disfarça muito bem o calor.

terça-feira, 16 de junho de 2009

talvez meu instante particular cure a ressaca de ontem
ou,então, a ressaca o cure.
o dia corre contra o tempo inerte e fulgaz.
procuro uma solução nata,
escondo dúvidas e frustrações
no comodismo.
hoje tá resolvido, o amanhã,amanhã eu revolso.
- existir me toma todo o tempo,
viver, mais tempo ainda!

domingo, 1 de março de 2009

beijar outras bocas e se atirar num abismo de falsidades ideológicas serviu pro tamanho da sua insensatez, caiu muito bem com sua noção de conquista barata e desejo reprimido. está na hora de dar meia volta e levar meu desaforo pra casa, levar todo o meu desconsolo com você pra acompanhar seu jogo de sedução inútil da vida. e não me venha com qualquer olhar mais profundo,pronfundamente bipolar e lotado de uma dissimulação chata e incoveniente. e me dá um cigarro? vou despejar a fumaça da minha hostilidade no seu amor desnaturado de amor. vou tocar toda sua vaidade e apertar com toda a minha vontade voraz, vou gozar com ela e não me despedirei. e se depender de toda a minha desilusão, o deserto de mim vai penetrar no seu insinuado corpo cheio de curvas precisas e exatas, um corpo, minuciosamente, emoldurado de beleza e preenchido de sensualidade. é difícil esquecer todo aquele tesão aceso na memória da minha pele, mais difícil ainda é mantê-lo aceso. não permaneça na minha vida, irá se arrepender de ter entrado num labirinto do meu desprezo e pena, do meu rancor e sarcasmo, da minha indiferença e respeito porque não se perde a pose, meu bem, não se cai do salto depois de ter aprendido como manuseá-lo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

uma casa sem teto, a porta foi arrancada, os móveis jogados com distâncias equivalentes entre si, uns ali, outros fora; uma escada pela metade e a lareira recentemente apagada como se ali tivesse passado um furacão.
um corpo sem cabeça, o coração levado, uns ali,outros não;a razão pela metade e um sentimento aceso como se tivesse passado um em um milhão.
um medo sem liberdade, a peça que não te deixa mover, o jogo em xeque mate previsto como se não tivesse fim depois que o rei se deitou.
a certeza de ter passado e o futuro pra passar surdo, um aqui,outro em fuga;um presente sem mais nem menos como se fosse um fenônemo que só acontece, que só ao acaso.
um resumo de mais um caso.