sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Fato que todo ato
ainda que fraco
anima a noite e
perdoa o acerto.
elogia o erro
que não açoite
aquele aperto
morre.


para velar minha morte
festeje a maior festa:
jogos de sorte e flamencos felizes.
pois já não resta
algo assim como
claustrofobia de mim.

na minha morte aposte!
depressa, aposte intenção
gire a roleta da solidão.
enfrenta os dados jogados
à passagem aberta!
abre.

fechei os olhos e,
finalmente-e por sorte-,
ouço o faceiro instante
que foi traçado
-e estraçalhado-
pelo jogo de minha morte.

acendam uma vela!
uma de sete dias:
-no sétimo descansarei
com os imortais.
nos outros seis:
deixe-me em paz!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

A vida é tão curta.
A vida,então curta
A vida num curta é
ávida com saia curta.

Ávida com saia justa.
Sai-me justa?
Saia da vida grossa e curta.
Saia da justa vida curta.
Curta sai justa pra vida da...

...Vida curta da saia justa.
Da vida saia e dê saia justa
pra justa vida grossa e curta.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

se tudo o que você queria era ser,
ser já não me é musa inspiradora.
o peso ou a leveza é modo de ver
tensão criadora pedir fiança:
presa portando peso de ser.
o ideal inalcansável até cansa
mas não perde a razão de ser
o alvo principal de perseguição.
eu sou a idéia deturpada de mim:
sou a virgem estuprada nas núpcias.
sou a sorte azarada dos dados.
fumaça baforada em astúcia e
medo de ser aquilo que vocês são:
o ser em ideais afugentados
do peso ou leveza do amor.
ou da busca dele, a imagem.
a idealização da flor que perde a cor
de falta de medo ou pior:
excesso de coragem.
tudo fica entreaberto no escuro
nem tudo se aspira em pó.
o mal é pesar o ser
sem saber o que é
ou o que deveria ser
suspiro a sussurrar:
-a leveza de criar.

domingo, 7 de outubro de 2007

Eu discuto com a verdade.
Imito a saudade
pra deixar-me intensa,
Fora de rota,
Mas a verdade
não concorda:
diz que é tudo lorota
da saudade,
que sem bondade,
toma-te tudo,
invade.
E aquele silêncio surdo
continua mudo
e não sabe a verdade.
E agindo por aí,
a sinceridade
veio desmentir a verdade.
Verdade.
Ver da
de ver
Da de.
Dever.
Dade.
Eu bato a porta
com uma leve expressão morta.
Tão leve,
Torta.
Tão breve,
Volta.

Eu sigo o caminho
sem fluxo
sozinho.

Quando a noite vem
e eu bato à porta,
Não tem ninguém.
Só a leve
expressão morta.
Breve.
Torta.
Segue.
Volta.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Essa fumaça entra e se esvai,
Espalha verdade na cabeça.
E o cérebro contrai
felicidade espessa.

Os gazes em mim
mal fazem
parte de um fim
de toda aquela montagem.

Eu tenho um vício
e o mundo também.
Parar não é sorte de quem tem
algum benefício
por nenhum vintém.

Somos emissores dos gases
pro mundo e além.
Mas não são absorvidas verdades
por menos de cem.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Enquanto brincava de mutualizar,
esfregava meu nariz em mente
pra sentir, cheirar
tal pensamento eloqüente.

E essa indiferença
fez-me presente.
Um grau sem ofensa
de uma proposta indecente.

Tal como uma abstinência
sem necessitar,
Tal como experiência
à vagar
por aí pelo canto-
Onde o refrão acentua
aquele todo desencanto
à voz tua.

E o nada se situa,
Friza encanto-
Aquela saudade crua.
Conforme for por enquanto,
Desforme é portanto.

Nua-
Manto.

Tua.
Tanto.