quarta-feira, 7 de maio de 2008

aqui não tem destino
nem estrada.
aqui amar é desatino,
não amar é piada.
aqui o grosso é fino
até descer mais uma rodada.

ali meu mundo é pequeno
que nem o fio da meada.
ali meu amor é súbito
e a noite morre calada.
ali meu tudo é tudo,
meu nada é nada.

no meio não tem pedra
nem te mete em enrascada.
no meio não tem termo
quem diria morte falada.
no meio tem uma rua,
uma bifurcação ousada.

no fim não tem fim
e o começo é marmelada.
no fim o pobre é de mim
que não tenho chão nem enxada.
no fim o sol é curto
e o dia também.

segunda-feira, 24 de março de 2008

D.M.T

discreto mutualismo transcendental
transcende mutual(mente) (o) discreto.

num (uni)verso cheio de inexistência,o invisível toma conta de tudo que pode se ver e não ver. o visível é apenas uma forma de percepção instantânea que evapora quando sabemos o que ver,onde ver,como ver, o porquê de ver. isso porque somos invisíveis. e ser invisível não é passar despercebido por alguém mais invisível ainda. é andar de ré olhando o retrovisor e não vendo nada atrás e ,muito menos, à frente (dependendo do ponto de vista). invisibilidade é limitar-se de dentro pra fora, de fora pra dentro. é ser um alguém que nunca existiu. não existir não significa ser invisível e sim se tornar o mais visível possível desprezando o invisível a sua volta e colocar-se num topo de uma árvore sem nenhuma raiz. existir é muito mais difícil do que se pensa. não existir faz parte do cotidiano de cada ser invisível,que não deixa de ser perceptível,mas não se deixa perceber(-se).a afirmação do não existente exige o conhecimento de tudo que já existe. então, o sentido de não existir é apenas uma forma de fuga,fadiga e ignorância de não ver-(se) em um. o 'um' existe. o sete existe. os outros seis que não existem e não conseguem estar em um só plano material e imaterial. o um passou a existir através de uma percepção (úni)ca de um (uni)verso. a partir daí, um segundo se passa, e o 'um' deixa de existir e no próximo segundo passa a existir de novo. deixa de ser invisível e passa a ser visível para si mesmo, mas depois torna-se invisível novamente porque Deus Mente Também.

domingo, 2 de março de 2008

a impotência toma conta e vira o humor do avesso. acaba se embebedando pra entrar na realidade coagida por ela mesma. a impotência chega em casa e não bate nos filhos, olha com aquele ar de incapacidade e não vai dormir porque a consciência não pesa e nem deixa de pesar. (não fume).

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

naquela noite vazia e tão clara como a dúvida de uma epifania tão certa quanto a morte, havia uma mesa com uma vela a queimar cada minuto daquele instante,uma janela fechada para não entrar nada que venha de fora, um vinho de segunda mão pra eliminar a tontura do mundo sob uma cabeça confusa, havia também um papel em branco e uma caneta sem tinta que não tinham nenhuma utilidade mas representavam uma vida,talvez todas as vidas ou só a minha vida. o papel em branco simboliza meu futuro que não existe até chegar. a caneta sem tinta simboliza meu caminho traçado apenas por acasos voláteis que só chegam quando deixam de existir. e olhando através da janela fechada, com uma taça de vinho e fumando um cigarro que fora aceso na vela, um parente próximo da morte tragava a fumaça do presente mais real e tragável que existe, quando uma pedra em sua janela bate: olha pra baixo e nada se vê. olha pra cima e o céu se esconde. olha pro lado e nunca se sentiu tão sozinho. pro outro, só as quatro paredes do quarto presente o sufocando. e ,finalmente olha pra frente e vê sua irmã, a morte. escura e cheia de nenhum vazio daquela noite e sem dúvida a atrapalhar seu ofício rotineiro, abre a boca que nunca fechou:
- tenho aqui a certeza da tua dúvida, a tinta da tua caneta, as palavras do teu papel. isso é um presente.
seu irmão, o nascer, serenamente traga a última fumaça da calmaria que lhe pode ser ofericida e bebe o último gole de vinho. e ali percebe: o vinho o deixou tonto de uma embriaguês sufocada desde que nasceu e o cigarro tomou toda tranqüilidade de um esperar do horizonte na janela. fecha a boca que nunca abriu e pensa,pois não precisa expôr a confusão de toda uma decisão que acabara de ter tomado: " hoje não é meu aniversário." vira as costas pra sua irmã e cai pra nunca mais voltar e renascer sempre que cair.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

esse olhar envenena
cada parte do meu ser,
nem uma ponte de safena
impedir-me-ia de morrer.

e cada vez que desperto,
acordo no além de tanta saudade.
o sentimento é (de) concreto
mas teu olhar invade.

nunca é discreto,
mas, pra falar a verdade,
ninguém está por perto
pra desrrespeitar privacidade.

esse olhar não tem pena
do que posso ver.
até mesmo Viena
pode prever: " olhou pra morrer."

ah,pobre Viena que vai afundar
nos próprios desconsolos
desse olhar.

Viena,todos nos chamam de tolos
até que o encontrem e por aí devem encontrar.- tolos são eles de olhar.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

idéias que fogem sem deixar lágrima
nem desespero
viram página,
viram inteiro.

fazem-me rir de(s) consolo
num desatento suborno
de vida freqüente
no céu da mente.- universo em verdade.

rotula saudade
que não trás nem leva,
mas dentro da grade
nem adão e eva
pecariam na idade:
a prisão os conserva.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

os índices- desfechos sutis-
iniciam a partida
que não fiz,
mas escondida
deixei que fosse por um triz.

e ainda me diz
que a vida é sofrida
e não tá embaixo do teu nariz.

a respeito de vida,
a minha se foi (partida)
e não teve início, nem ida.

o meu final não é feliz
por não se contentar com pouco.