segunda-feira, 24 de março de 2008

D.M.T

discreto mutualismo transcendental
transcende mutual(mente) (o) discreto.

num (uni)verso cheio de inexistência,o invisível toma conta de tudo que pode se ver e não ver. o visível é apenas uma forma de percepção instantânea que evapora quando sabemos o que ver,onde ver,como ver, o porquê de ver. isso porque somos invisíveis. e ser invisível não é passar despercebido por alguém mais invisível ainda. é andar de ré olhando o retrovisor e não vendo nada atrás e ,muito menos, à frente (dependendo do ponto de vista). invisibilidade é limitar-se de dentro pra fora, de fora pra dentro. é ser um alguém que nunca existiu. não existir não significa ser invisível e sim se tornar o mais visível possível desprezando o invisível a sua volta e colocar-se num topo de uma árvore sem nenhuma raiz. existir é muito mais difícil do que se pensa. não existir faz parte do cotidiano de cada ser invisível,que não deixa de ser perceptível,mas não se deixa perceber(-se).a afirmação do não existente exige o conhecimento de tudo que já existe. então, o sentido de não existir é apenas uma forma de fuga,fadiga e ignorância de não ver-(se) em um. o 'um' existe. o sete existe. os outros seis que não existem e não conseguem estar em um só plano material e imaterial. o um passou a existir através de uma percepção (úni)ca de um (uni)verso. a partir daí, um segundo se passa, e o 'um' deixa de existir e no próximo segundo passa a existir de novo. deixa de ser invisível e passa a ser visível para si mesmo, mas depois torna-se invisível novamente porque Deus Mente Também.

domingo, 2 de março de 2008

a impotência toma conta e vira o humor do avesso. acaba se embebedando pra entrar na realidade coagida por ela mesma. a impotência chega em casa e não bate nos filhos, olha com aquele ar de incapacidade e não vai dormir porque a consciência não pesa e nem deixa de pesar. (não fume).

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

naquela noite vazia e tão clara como a dúvida de uma epifania tão certa quanto a morte, havia uma mesa com uma vela a queimar cada minuto daquele instante,uma janela fechada para não entrar nada que venha de fora, um vinho de segunda mão pra eliminar a tontura do mundo sob uma cabeça confusa, havia também um papel em branco e uma caneta sem tinta que não tinham nenhuma utilidade mas representavam uma vida,talvez todas as vidas ou só a minha vida. o papel em branco simboliza meu futuro que não existe até chegar. a caneta sem tinta simboliza meu caminho traçado apenas por acasos voláteis que só chegam quando deixam de existir. e olhando através da janela fechada, com uma taça de vinho e fumando um cigarro que fora aceso na vela, um parente próximo da morte tragava a fumaça do presente mais real e tragável que existe, quando uma pedra em sua janela bate: olha pra baixo e nada se vê. olha pra cima e o céu se esconde. olha pro lado e nunca se sentiu tão sozinho. pro outro, só as quatro paredes do quarto presente o sufocando. e ,finalmente olha pra frente e vê sua irmã, a morte. escura e cheia de nenhum vazio daquela noite e sem dúvida a atrapalhar seu ofício rotineiro, abre a boca que nunca fechou:
- tenho aqui a certeza da tua dúvida, a tinta da tua caneta, as palavras do teu papel. isso é um presente.
seu irmão, o nascer, serenamente traga a última fumaça da calmaria que lhe pode ser ofericida e bebe o último gole de vinho. e ali percebe: o vinho o deixou tonto de uma embriaguês sufocada desde que nasceu e o cigarro tomou toda tranqüilidade de um esperar do horizonte na janela. fecha a boca que nunca abriu e pensa,pois não precisa expôr a confusão de toda uma decisão que acabara de ter tomado: " hoje não é meu aniversário." vira as costas pra sua irmã e cai pra nunca mais voltar e renascer sempre que cair.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

esse olhar envenena
cada parte do meu ser,
nem uma ponte de safena
impedir-me-ia de morrer.

e cada vez que desperto,
acordo no além de tanta saudade.
o sentimento é (de) concreto
mas teu olhar invade.

nunca é discreto,
mas, pra falar a verdade,
ninguém está por perto
pra desrrespeitar privacidade.

esse olhar não tem pena
do que posso ver.
até mesmo Viena
pode prever: " olhou pra morrer."

ah,pobre Viena que vai afundar
nos próprios desconsolos
desse olhar.

Viena,todos nos chamam de tolos
até que o encontrem e por aí devem encontrar.- tolos são eles de olhar.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

idéias que fogem sem deixar lágrima
nem desespero
viram página,
viram inteiro.

fazem-me rir de(s) consolo
num desatento suborno
de vida freqüente
no céu da mente.- universo em verdade.

rotula saudade
que não trás nem leva,
mas dentro da grade
nem adão e eva
pecariam na idade:
a prisão os conserva.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

os índices- desfechos sutis-
iniciam a partida
que não fiz,
mas escondida
deixei que fosse por um triz.

e ainda me diz
que a vida é sofrida
e não tá embaixo do teu nariz.

a respeito de vida,
a minha se foi (partida)
e não teve início, nem ida.

o meu final não é feliz
por não se contentar com pouco.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

ser sincero e querer ter menos razão
pra olhar no fundo
de tanta fração
de segundo.
é ter importância sem acreditar
que a saia da ilusão é rodada
mas não consegue girar
nem mesmo ficar parada.
é um dia sim,
o outro também.
veneno de mim,
cura de bem.
mexer com o futuro,
inundar o passado,
desfrutar o presente :
tudo no escuro,
testado
e doente.
deixe estar caminhando
pela rua ladrilhada
a fé ilustrada.
e diz que tá amando
sem o nó na gravata- amor distinto.
amor d'instinto.