sexta-feira, 5 de março de 2010

foi assim, sem palavras, que presenciei mais um eu em muitos de nós. e em tão pouco momento, descobri o universo individual de sensações que percorrem e são percorridas pela imaginação. cheguei no limite-descobri outro. a vida lá dentro vivia mais do que todas as pessoas que existem e olhando algumas vezes raras pra fora, não existia pessoas que existem. o futuro, pois bem, o futuro lembra-me quando chego em casa pela madrugada na ponta do pé e tenho que caminhar até o quarto em silêncio e embriagada. mas não sei o porquê de ter começado a falar no futuro.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

talvez meus pensamentos sejam injustos mas é dessa injustiça que tiro o poder do esquecimento. esquecerei aqueles sorrisos lindos pela metade e aqueles cigarros que queimavam inteiros durante nossos beijos e ,assim que esquecer, esquecerei de novo e de novo até não poder lembrar. vou esquecer de lembrar e lembrar de esquecer todo comprometimento do meu amor com teu dia-a-dia, do meu dia-a-dia com teu amor descomprometido, pois injustiça seria se tivesse de saber do teu esquecimento em todo pensamento.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

deixei minha insônia contigo.
agora, a maior parte do tempo
passo sonhando.
o surrealismo mostrou-me
o que se diz na eternidade.
ficou de lado qualquer apelo
por qualquer vaidade,
e o desespero de prender-se às mesmas
palavras,
tornou-se uma carta
na manga.
o vocabulário limitado
aprimora o texto de sempre.
o pensamento limitado
cai na mesmisse.
pensar não é palavrear...
...palavreando, o pensamento vai pra lá
da cabeça.
meu olhar pede o teu,
minha fome pede a tua.
na saudade, que se faz nua,
minha felicidade se escondeu

no nosso último encontro.
lateja toda vontade,
interminável confronto
que vem e invade

a minha surdez de tudo
que não seja você,
do meu sentimento mudo
que só sabe te ter.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

a luxúria inspira,
alimenta loucura,
arregala o olho
e desperta a gula.
desvia o amor com sexo.
o transforma em pele,
coxa
e saliva.
seduz o olhar santo,
invade o que resta dele.
liberta a imoralidade da alma - liberdade da carne.
confunde qualquer sanidade.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

entorpecimento do medo,
a inexistência transparecida em vida.
o elixir do fracasso latente.
saltam rancores aprisionados
na profunda imensidão
vazia da solidão.
e, à minha frente,
você.
os sentimentos mudaram,
a percepção de sentir mudou,
eu mudei,
minha voz muda,
um silêncio estridente
em cada minuto vital,
uma morte a todo instante.
voltei de uma eternidade,
tô seguindo outra.
a busca da perfeição perfeita,
a excelência prepotente.
e, no resto da vida,
a mediocridade.

o início vem a ser o fim
como uma correnteza
de um rio:
as extremidades são desconhecidas
e, por serem,
o meio passa a não existir.
não se reparte um rio,
início,
meio
e fim.